HOMENAGEM
09 de agosto de 2026 10:46

“Eu queria muito ouvir meu filho dizer pai”: uma história de amor, presença e esperança

Agência de Notícias

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Pai de Murilo, de 11 anos, professor Ablyano transformou a própria vida para acompanhar o filho e mostra que, na paternidade, o maior presente pode ser simplesmente estar presente

 

Ablyano é pai de Murilo, e aprendeu ao longo da última década que presença também significa observar, esperar, comemorar e descobrir diferentes maneiras de ouvir um filho
 

“Às vezes, seu filho não quer um brinquedo. Não importa se o seu carro é bacana ou se a sua casa é bacana. Ele quer você ali, presente, para sorrir com ele e dividir os momentos. Esses momentos são especiais e únicos.”

 

A frase com um sentimento profundo é de Ablyano dos Santos Custódio. Professor de Educação Física, ele é pai de Murilo, de 11 anos, e aprendeu ao longo da última década que presença também significa observar, esperar, comemorar e descobrir diferentes maneiras de ouvir um filho.

 

Murilo é autista com nível 3 de suporte e não verbal. Depois do diagnóstico, a rotina da família mudou e Ablyano também precisou fazer escolhas. Deixou o trabalho como personal trainer e em academia, diminuiu as atividades na igreja e as saídas com amigos. Hoje, trabalha como professor na Escola Oswaldo Piana e tem redução de carga horária. Enquanto o filho estuda, ele trabalha; no outro período, acompanha Murilo nas terapias.

 

“Eu realmente tive que abrir mão de muita coisa para ser somente pai. Na vida a gente muda. A prioridade passa a ser nosso filho e a luta pela autonomia e pelo bem-estar dele fica sendo nosso motivo de viver.”

 

Ao lado da esposa, Ablyano divide também as noites difíceis, os cuidados e uma rotina que exige parceria.

 

“Se fosse sozinho, eu não ia conseguir. É difícil, é bem difícil. Hoje, minha terapia de vida é a felicidade deles.”

 

APRENDER A OUVIR

 

Murilo não fala, mas pai e filho construíram sua própria forma de conversar. Quando está com fome, ele pega o prato e entrega aos pais. Quando está feliz, balança os braços, movimenta a cabeça e sorri. E quando abre os braços para um abraço, o momento é especial.

 

“Se ele estender os braços para você, abrace. Você é uma pessoa sortuda se isso acontecer.”

 

Mas existe uma voz que Ablyano ainda sonha ouvir.

 

A busca da família é pela autonomia de Murilo. E cada avanço, por menor que pareça para quem observa de fora, é celebrado

Por volta dos dois anos e meio, Murilo chegou a falar algumas palavras. A família guarda vídeos daquele período. Depois, ele parou de falar. Hoje, o menino adora música, balbucia melodias e mantém vivo um dos maiores sonhos do pai.

 

“Meu sonho é um dia ouvir meu filho cantando. É cantar junto com ele. É ouvir meu filho falar ‘pai’, falar ‘mãe’.”

 

E uma frase comum em muitas casas ganhou outro significado para Ablyano.

 

“Tem tantos pais que dizem: ‘esse menino não cala a boca um minuto’. Eu queria muito que meu filho não calasse a boca um minuto. Queria muito ouvir a voz dele.”

 

CADA CONQUISTA CONTA

 

A busca da família é pela autonomia de Murilo. E cada avanço, por menor que pareça para quem observa de fora, é celebrado.

 

“Cada evolução, mínima que seja, a gente comemora como se fosse um gol de placa.”

 

A experiência também transformou Ablyano como professor. Durante um período, chegou a dar aulas de Educação Física para o próprio filho e passou a levar para o trabalho um olhar ainda mais atento às diferentes formas de aprender e participar.

 

Neste Dia dos Pais, o prefeito Léo Moraes destacou a importância da presença na vida dos filhos.

 

“Ser pai é estar presente nas diferentes fases, nos desafios e nas pequenas conquistas que se tornam gigantes dentro de uma família. Desejo um feliz Dia dos Pais a todos os pais de Porto Velho. Que nunca faltem tempo, presença e bons momentos ao lado dos filhos”.

 

A PATERNIDADE TRANSFORMA

 

Depois de 11 anos de uma paternidade que transformou sua rotina, sua profissão e suas prioridades, Ablyano deixa um recado simples:

 

“Dedique tempo ao seu filho. Ele quer você ali, presente.”

 

E completa:

 

“Se colocar um filho no mundo e isso não fizer de você uma pessoa melhor, nada mais faz.”

 

Texto: Helen Paiva
Fotos: Arquivo 

 

Secretaria Municipal de Comunicação (Secom)

 

 

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