O prefeito de Porto Velho, Roberto Sobrinho, esteve nesta sexta-feira na Vila Princesa para conhecer o incinerador de lixo hospitalar instalado no local. O prefeito foi recebido por diretores e um engenheiro da Marquise, empresa responsável pela coleta de lixo na capital. O empreendimento teve o custo da R$ 1,8 milhão financiado pela própria empresa, em cumprimento ao que foi estabelecido no contrato de concessão do serviço. A previsão é de que o incinerador seja inaugurado no início de maio.
O lixo produzido no ambiente hospitalar inclui lixo biomédico, como agulhas e seringas sujas, produtos químicos, lixo farmacêutico, materiais radioativos (de raios X, etc) e lixo em geral. O risco resultante do lixo médico infeccioso é considerável – por exemplo, do vírus HIV, da hepatite B e de doenças que estão voltando, tais como a febre amarela, a tuberculose e a febre tifóide – e merece atenção especial. A incineração é o método mais seguro de eliminação da maior parte do lixo médico. Após a incineração, o lixo deve ser enterrado cuidadosamente. “Com esse incinerador, o município passará a dá uma destinação ecologicamente correta para esses resíduos produzidos nas unidades de saúde. E isso representa um salto muito grande, se comprado para a forma de descarte que ainda é utilizada. E um tratamento feito com a utilização do que há de mais avançado em tecnologia para esse serviço”, disse o prefeito. Atualmente este descarte é feito em valas sépticas que são concretadas para que não haja o contato do lixo com o solo.
Depois de depositado na vala, é jogado cal no lixo para ajudar na sua decomposição e em seguida jogada uma camada de aterro. Essa não é a melhor opção, mas está dentro das normas técnicas e ambientais vigentes, afirmou o prefeito. Roberto Sobrinho lembrou que mesmo ainda não sendo o ideal, a utilização de valas sépticas representou um avanço grande no que diz respeito ao destino final do lixo hospitalar. “Antes de eu chagar a prefeitura, esse descarte era feito junto com o lixo doméstico no lixão”, lembrou o prefeito.
Nova tecnologia
A utilização do incinerador oferece altos índices de esterilização do lixo hospitalar e consiste em um tratamento térmico que mantém o material contaminado a uma temperatura elevada, por meio do contato com vapor de água, durante um período de tempo suficiente para destruir todos os agentes patogênicos (bactérias, vírus, fungos, protozoários, e alguns tipos de vermes transmissores de doenças). Entre os materiais que oferecem riscos à saúde humana estão os resíduos pertencentes ao grupo A, potencialmente infectantes, de acordo com a classificação baseada na resolução Conama nº 5, de agosto de 1993. Há nesses componentes a presença de agentes biológicos que, por suas características de maior virulência ou concentração, podem apresentar risco de infecção. Ou ainda, resíduos do grupo B, contendo substâncias químicas que apresentam risco à saúde pública ou ao meio ambiente, independente de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade ou toxicidade. Neste grupo se enquadram medicamentos ou insumos farmacêuticos quando vencidos, contaminados, parcialmente utilizados e demais medicamentos impróprios para consumo. Se não receberem destinação adequada, os dejetos gerados não só nas unidades de saúde, mas também em necrotérios, consultórios e até clínicas veterinárias representam um grande perigo, tanto para a saúde das pessoas quanto para o meio ambiente. O Brasil gera cerca de 149 mil toneladas de resíduos hospitalares por dia. Em Porto Velho,
chega a 17 toneladas/mês. Para se ter uma ideia do grau de risco, uma partícula do lixo hospitalar tem capacidade de contaminação 100 vezes mais do que o resíduo sólido doméstico.
Incinerador
O engenheiro de projetos, Renam Barros explicou que o incinerador instalado na Vila Princesa apresenta uma grande vantagem em relação a outros: por ser um equipamento de autocombustão, onde o próprio lixo é o combustível, reduzindo o custo em querosene e o impacto ambiental.A tecnologia, desenvolvida e usada na Alemanha e consegue reduzir o volume do resíduo em até 98% com baixíssimas emissões de gases poluentes devido ao sistema de gaseificação e combustão combinadas. Os resíduos preferenciais para incineração são resíduos não-recicláveis, orgânicos, e que precisem de algum tratamento para reduzir seu risco à saúde pública e ao meio ambiente.
O incinerador é construído em chapas de aço carbono, reforçado externamente por cantoneiras e revestido internamente por camadas de isolante térmico e refratário a base de alumínio, o que lhe confere alta resistência a temperatura e a determinados agentes químicos. A grelha (onde se deposita o material a ser incinerado) é fabricada de forma a conferir-lhe boa resistência ao calor e aos agentes corrosivos. Os ventiladores garantem pressão constante a fluxos de volumes diferentes, sendo acionados por motores elétricos de 220/380 volts. A alimentação do incinerador pode ser
manual ou semi-automática. A vazão dos resíduos depende do poder calorífico e do peso específico do material. A câmara de alimentação é composta de duas comportas, evitando-se, desta forma, a fuga dos gases da câmara geradora. Através de um sistema especial, a eclusa é lavada com ar antes da abertura da tampa superior, permitindo a eliminação dos gases que se encontram na mesma, protegendo a saúde do operador. Os incinerador possui ainda sensores de temperatura que permite o monitoramento e acompanhamento de todas as etapas do processo de queima. São construídos com materiais específicos para a faixa de temperatura a ser controlada. O reator também pode ser equipado com um registrador gráfico informatizado de temperatura. A câmara de pós-combustão, em forma ciclonada, foi concebida de forma a reter a quase totalidade dos particulados originados na queima do resíduo. Estes particulados se precipitam para um cinzeiro situado na parte inferior do mesmo.
Temperatura de Combustão
Na queima de materiais com alto poder calorífico, a temperatura da câmara de combustão pode atingir até 1600 graus centígrados, apesar de operar numa faixa de 1000 a 1250 graus. Altas temperaturas (acima de 1250 graus) não são recomendadas, pois aumentam o teor de óxido de nitrogênio nos gases provenientes da queima do resíduo, além de favorecer o lançamento de metais pesados na atmosfera. O incinerador possui um dispositivo que permite a manutenção de uma faixa de temperatura desejada, sendo que, se a mesma ficar abaixo do limite estabelecido, automaticamente é acionado o sistema de injeção de combustível auxiliar.
Emissão de gás
O gás proveniente da pós-combustão entra em um ciclone, que abate 98 – 99% do material particulado com diâmetro superior a 10 µm e resfia o gás por dissipação térmica. Após o ciclone o gás passa por um resfriador gás-ar, que possui a função de diminuir a temperatura dos gases de combustão para menos de 200°C em pouco tempo, evitando a formação de dioxinas e preparando o gás para entrar no lavador líquido. Saindo do resfriador, os gases passam por um lavador venturi, que tem a função de impactar as partículas submicrométricas remanescentes do fluxo de gases e neutralizar os componentes ácidos (SO2 e HCl) pela injeção em fluxo contínuo e de alta velocidade de uma solução de NaOH.
Este sistema permite a operação 24h do sistema, aumentando sua capacidade em até 50%. Benefícios adicionais são a redução da emissão de gases no início de processo e a maior durabilidade da grelha e do refratário. Ainda com relação a emissão de gases, a Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) limita a emissão de CO (monóxido de carbono) em 100 partículas pó milhão (ppm). No incinerador da Vila Princesa essa emissão chega a 10,1 ppm.
Por Joel Elias
Fotos: Frank Néry