Boletim Eletrônico







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Asfalto Móvel

    No início da década de 1960, surgiu uma grande novidade em Porto Velho – o asfalto. Para tão importante sinal de progresso e modernidade foi escolhida uma das ruas mais importante da cidade, a Presidente Dutra, entre a Dom Pedro II e a Sete de Setembro, naturalmente passando no trecho da ladeira acentuada que passa na frente do prédio da Unir/Centro e ao lado do Palácio Presidente Dutra. A obra foi lançada em solenidade digna da repercussão da notícia. A obra foi feita pelo Governo do ex-Território e no dia da inauguração, o secretário de Obras, Milton Alves, teve a honra de ser o primeiro a pisar no asfalto. Foi quando começou um drama. O sapato do secretário afundou no asfalto.

 

N    ão se sabe se por economia ou por falta de experiência em asfaltamentos e equipamentos adequados, a pavimentação não deu certo. Grande parte da massa preta ficou acumulada no pé da ladeira, perto de onde fica o prédio dos Correios. Por muitos anos, o asfalto sujou os sapatos dos porto-velhenses, numa época em que os sapatos brancos estavam em grande moda.

    A obra legou ao secretário o apelido de “Deusa do Asfalto”. Como o asfalto tinha sido feito pelos “cutubas”, nome dado a uma das duas facções políticas do ex-Território, o povo adaptou a música do velho sucesso “Você pensa que cachaça é água; Cachaça não é água não”. A versão rondoniense da música ficou assim:

“Você pensa que asfalto atola;
Asfalto não atola não;
Asfalto serve pra pegar cutuba,
Pele curta ele não pega não.”