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Real Forte Príncipe da Beira

Image    Ao assumir como 4º governador da província do Mato Grosso, Dom Luís de Melo Pereira e Cáceres, fora incumbido de administrar a região considerada de maior importância para os interesses de Portugal, conservando a posse do Fortim de Bragança e toda a margem direita do rio Guaporé.
 
    Luís de Cáceres organizou, em 1775, a expedição comandada pelo Sargento-Mor João Leme do Prado, que subindo pelo rio Corumbiara, cortou a Serra dos Pareci, até chegar aos rios que correm em direção ao norte, sem contudo encontrar as jazidas de ouro que diziam existir na região pesquisada.
    D. Luís de Cáceres, com grande comitiva, desceu o rio Guaporé e verificou que a fragilidade do Forte de Bragança não oferecia resistência aos ataques castelhanos e resolveu construir uma fortificação que inspirasse o respeito que a coroa portuguesa merecia.

   O local escolhido para a construção ficava, aproximadamente, a 1500m distante da antiga fortificação e, em 20 de julho de 1776, foi lançada a pedra fundamental do futuro forte, cuja construção ficou a cargo do engenheiro Domingos Sambucetti.

    A importância dessa construção pode ser avaliada pelas palavras de D. Luís de Cáceres:

"A soberania e o respeito de Portugal impõem que neste lugar se erga um Forte, e isso é obra e serviço dos homens de El-Rei, nosso Senhor e, como tal, por mais duro, por mais difícil, por mais trabalho que isso dê, é serviço de Portugal. E tem de se cumprir".

    O forte do Príncipe da Beira foi construído no sistema Vauban, sobre um quadrado de 1189,5m de face, com quatro baluartes de 59m e sobre 48m na maior largura. As cortinas que os ligam dois a dois têm cada uma 92,04m de extensão, à borda do fosso. O fosso varia de largura guardando, porém efetiva a profundidade de 2m a frente e o flanco esquerdo de 30,02m de largura. Junto aos baluartes tem de 1,5m a 2m, com exceção ao da esquerda, Conceição, que é de 9m. Em frente ao portão atravessa o fosso, uma ponte de 31m, parte da qual, na extensão de quase 4m, é levadiça e recolhe-se ao Forte. O portão fica no meio da cortina norte e, na face ocidental e paralela ao rio há uma poterna (porta falsa) que se abre para o fosso. Cada baluarte tem catorze canhoneiras: 3 em cada flanco e 4 em cada face. A gola é de 22m e de 8,02m a altura das muralhas da esplanada ao fosso.

   Existiam 14 residências no seu interior destinadas ao comandante e oficiais além de capela, armazéns e depósitos, bem como alojamento dos soldados em serviço, prisão e poço. Fora havia residências para soldados e as barracas dos escravos e índios.

    Domingos Sambucetti que havia sido cedido pelo governo do Grão Pará, não chegou a concluir a construção do Forte, faleceu acometido de malária no ano de 1780. Foi substituído pelo Tem. Cel. e Engenheiro Ricardo Franco de Almeida Serra, que fazia parte da Comissão de Limites, constituída em função do Tratado de Santo Idelfonso.

  Na construção foi empregada a pedra canga existente na região, depois de lavrada em paralelepípedos de meio metro; o calcário foi trazido de Vila Bela e Grão Pará.

   A cerimônia de inauguração foi realizada em 20 de agosto de 1783 com a presença de D. Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres e autoridades de Vila Bela e Cuiabá. Assumiu o comando da guarnição o Capitão de Dragões da Companhia de Goiás, José de Melo de Souza castro e Vilhena.

  A artilharia necessária não estava completa. Quatro canhões de bronze, calibre 24, foram enviados do Grão Pará, em 1825, através do rio Tapajós e, somente chegaram ao destino 5 anos depois, conforme consta de documentos existentes na Seção de Serviço de Patrimônio do Comando Militar da Amazônia.

  Com a proclamação da República, em 1889, o Forte do Príncipe da Beira que tinha como principal função ser a prisão para degredados foi abandonado e entregue à pilhagem, principalmente por parte dos Castelhanos e, somente nos primeiros dias de junho de 1919, segundo o relatório da Comissão, foi visitado por Cândido Mariano da Silva Rondon que o encontrou totalmente envolto pela floresta.

   Graças a intervenção de Rondon o Exército brasileiro passou a se fazer presente no local em 1932, quando foi criado o Contingente Especial de Fronteira do Forte do Príncipe da Beira, transformado em 7º Pelotão de Fronteira, em1954.

  Nas ruínas ainda podem ser vistas lembranças de antigos prisioneiros, escritas com finos estiletes, palavras que dizem assim:

"Adeus ingrata prisão
De ti me despesso abriozo
Tenho suportado gostoso
Em ti a mais dura aflição"
(Ass. Juvino)

Ou ainda:

"Nesta triste e honrosa prisão
Vive o pobre e infeliz Pacheco
Com grossa e comprida corrente ao pescoço"
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